O luto e a importância dos rituais de despedida em tempos de Coronavírus.

A pandemia do novo coronavírus também interferiu no processo de luto. Sem os ritos fúnebres, cabe a cada pessoa lidar sozinha com a perda. (Subtítulo)

Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, a impossibilidade de velar e até mesmo enterrar os entes queridos deixou de ser uma realidade distante vivenciada em outros países e passou a fazer parte do cotidiano brasileiro.

É praticamente unanimidade que a dor da perda é sempre grande, mas em tempos de coronavírus se agiganta e pode tomar proporções inimagináveis. Corpos estão sendo enterrados em caixões lacrados. As pessoas não estão podendo se despedir de quem morre. Entre parentes e amigos das vítimas falta aquele abraço apertado que ajuda a consolar o pesar.

O impacto dessas mortes vai tornar o luto ainda mais complicado. Especialistas afirmam que muitos familiares vão precisar de apoio extra, pois além do fim do convívio com um ente querido, carregam incertezas e falta de informação. Eles concordam, porém, que o luto é um processo normal e precisa ser vivido para ser superado. Nenhuma perda é igual a outra, mas sim uma experiência única e puramente individual. Mas como lidar com a dor e a sensação de que histórias foram interrompidas antes do tempo e como superar a ausência no último adeus?

A coordenadora do laboratório de estudos sobre o luto da PUC-SP, Maria Helena Franco, explica que algumas pessoas podem ter mais dificuldades de elaborar estes processos, mas é preciso contar com um recurso que o ser humano tem: a capacidade de simbolizar. “Se eu não tenho no concreto, posso buscar no simbólico. Não será exatamente como aquela pessoa gostaria, mas será o possível. Se não pode participar do sepultamento, no futuro pode ir ao cemitério, ou local onde colocaram as cinzas. É importante perceber que os vínculos permanecem e podemos buscar outras formas de simbolizar aquele luto”.

Ninguém merece morrer na solidão. Essa máxima acompanha o processo de finitude e nos permite seguir em paz.

Pensando em tudo isso, nós do Memorial Parque das Cerejeiras com o nosso parceiro, Maiêutica Centro de Psicologia, preparamos algumas palavras e dicas para as famílias em luto. 

A morte é ainda um grande mistério e, sem dúvida, razão pela qual a vida acontece. Contudo, vimos que diante da ameaça de uma pequena e destrutiva força da natureza em forma de vírus (covid-19) podemos muito menos do que pensamos e o imponderável acaba por nos governar.

Um dos grandes dilemas, neste momento de pandemia, são as famílias que não podem acompanhar e enterrar seus mortos. Qualquer espécie animal (racional ou irracional) cuida de seus mortos, criam rituais para esse momento.

O velório e sepultamento tem uma função psicológica importante para a família e amigos. Se ele não pode acontecer da forma tradicional podemos criar e adaptar diante desse cenário outras ações simbólicas que cumprem essa função.

Você que perdeu alguém, ou você que está acompanhando uma família em luto pode:

1 – Fazer um painel de fotos e mandar para os amigos mais próximos.
2 – Mande uma pequena mensagem para a família de quem faleceu dizendo o quanto você gostaria de estar com eles neste momento.
3 – Compartilhar com amigos fotos que lembrem momentos vividos com a pessoa que faleceu,
4 -Compartilhar músicas que ele mais gostava,
5- Fazer um jantar em homenagem, com a comida de preferência dele e dividir virtualmente,
6- Trocar vídeos e histórias engraçadas ou relevantes com os mais próximos,
7- Planejar uma homenagem presencial quando pudermos sair do isolamento social, gerado pela pandemia.

Nós do Cerejeiras, estamos, mesmo dentro das limitações, tentando fazer a despedida da melhor forma possível com respeito e sensibilidade.

Estamos preparando um memorial para que depois desses tempos difíceis, as famílias e amigos possam fazer suas homenagens. Temos ainda, em nosso espaço verde, o plantio de uma arvore em homenagem ao falecido.

Obrigado pela leitura

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